Bem vinda ao meu Blog! Empoderando as mulheres é uma nova abordagem às questões da psicologia feminina. Se quiser me contatar escreva para: adrianatns@hotmail.com. Estou disponível para sessões online!
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22/01/2010

O Parto da Mulher Hera na Era da Humanização-com-Consciência

Adriana Tanese Nogueira



A mulher Hera na era da humanização-com-consciência tem ciência das questões de poder social e de gênero que tanto ferem as mulheres. Ela já entrou em contato interno com sua dor, já abriu o peito e acordou. Neste processo, adquiriu a sabedoria de quem reconhece a diferença entre o grito ancestral das mulheres e a complexa realidade externa.

Seu conhecimento das coisas basea-se no real e não em princípios, os quais são sillogismos corretos, como quadrados perfeitos e círculos ideais. Nada disso, entretanto, existe na realidade multifacetada, complicada, obscura, repleta de camadas e níveis diferentes de entendimento. O que fazer, então?

A mulher Hera consciente não tem ego inflacionado. Ela vai mudar o mundo encarando o primeiro e mais difícil passo: sua vida. Ela põe em prática em seu cotidiano o que é ser uma mulher com dignidade, uma mulher que anda de cabeça alta, sem arrogância porque não precisa dela.

Seu poder nasce não dos conceitos e das idéias, mas das entranhas. A mulher Hera na era da humanização-com-consciência está plenamente enraizada na consciência de quem é, do que é o mundo e do que pode e quer para si. Ela senta-se como num trono sobre a percepção de seu poder e age conforme, pronta para encarar o que for.

Marido, médico, vizinha, doula, movimento... Tudo bem vindo, desde que não queira tomar-lhe as rédeas de sua própria vida. A mulher Hera se respeita e protege o emaranhado interior, que pode ser confuso mas que é seu, de quem quer que seja que queira "explicar-lhe" e "revelar-lhe" verdades.

Para isso, a mulher Hera consciente apela para sua irmã Atena a peneira as informações inteligentemente. Ela quer entender, para isso lhe serve Atena, para discernir e avaliar. Ela quer apossar-se dos conhecimentos necessários, não os delega a outrem. Sabe que é fundamental ter informações, desde que sejam de qualidade e funcionais para o que é preciso. Se não para que encher-se a cabeça? Hera não gosta de masturbação mental.

Ela percebe claro como o sol ao meio dia os jogos de poder. Todos os têm, todos os fazem, quem quer ajudar tanto quanto quem explicitamente quer comandar. Há sempre uma balança e a mulher Hera a observa com atenção Se tem uma coisa que ela detesta é gente que vem com os discursos liberatórios e enquanto isso cria novas amarras, novas redes, novas dependências.

Portanto, quando grávida, a mulher Hera vai fazer extamente o que lhe interessar sem pedir licença a ninguém. O mais difícil é manipular uma mulher Hera na era da humanização-com-consciência. O papo do protagonismo da mulher é para ela uma obviedade, não faz efeito. Ela já o pratica: na relação com sua mãe e pai, com suas amigas, no trabalho e, sobretudo, com o marido.

É evidente que quando ela for ao obstetra irá perceber na hora a disparidade dos poderes na relação. Ele lá no alto da gangorra e ela aqui em baixo. Sua amiga Ártemis enviar-lhe-á o sinal de alarme imediamente. Sim, porque esta mulher Hera por estar confortavelmente assentada em seu próprio poder dá total libertade à sua Ártemis interna - a mulher selvagem, aquela que corre com os lobos, aquela que fareja a quilômetros de distância o fedor da manipulação e da conversa pra boi dormir. E como a mulher Hera tem ao seu lado Atena, distingue facilmente os discursos dos fatos e tira suas conclusões.

Mas não basta, sem Perséfone o que seria de uma mulher? Sem a visão do que acontece por dentro dela?  Hera o sabe, justamente quando compreende que há uma diferença entre conceitos e realidade. Por isso, junto a Atena lá está Perséfone para avaliar as falas e os gestos das pessoas que a rodeiam.

Na hora do parto, a mulher Hera entregará seu cetro à Ártemis, sem medo e sem constrangimentos - pois ela sabe que seu poder está assegurado. Vive dentro dela, forte e luminoso, sereno e seguro.

16/01/2010

O Parto da Mulher Hera na Era da Humanização-por-Princípio


A mulher Hera desta época tem o vago e confuso sentimento de ter sido despojada de um status que lhe pertence de direito. Ecoa dentro dela uma revolta muda e dolorida, mas a mulher Hera ignora como expressá-la e o que fazer com ela.

Eis que ao encontrar a humanização-por-princípio esta lhe parece perfeita, cai como uma luva sobre a alma tumultuada. Sua problemática interna a torna sensível às palavras de ordem do tipo: protagonismo da mulher, o parto é nosso, mutilação genital, violência obstétrica e etc. Estas palavras encontram um terreno fértil lá onde o antigo anseio da mulher Hera pelo poder foi abafado e uma ferida profunda eternamente a incomoda. 

Finalmente, a mulher Hera desta época tem um espaço onde desabafar e uma bandeira para levantar. Ela encontra as pessoas que lhe devolvem aquele "empoderamento" do qual andava em busca. O movimento a confirma e aquela revolta submersa pode finalmente respirar. As informações e as trocas que a mulher Hera recolhe ao longo dos meses de gestação frisam seu direito e por esta lente ela focaliza tudo o que lhe foi feito e continuam lhe fazendo de errado.

Sua determinação a "lutar pela redução das cesáreas" e a "empoderar as mulheres" se fundamenta no conhecimento do valor feminino do parto humanizado. Mas não termina aqui. Seu engajamento recebe o gas subterrâneo de outras camadas da alma. Seu comprometimento tem a forma de num iceberg, o parto humanizado se situa no ápice mas a base afunda na raiva poderosa e ancestral de milênios de maus tratos contra as mulheres.

Na humanização-por-princípio, esta mulher Hera tem a oportunidade de resgatar-se. Finalmente existe algo concreto que ela pode fazer para virar o jogo e justamente o da mesa dos mais poderosos: os médicos. Que desafio mas intrigante!

É assim que a mulher Hera vai estudar as bíblias médicas e armar-se de palavras e conceitos para a guerra contra o homem. Se ela for uma grávida novata do movimento irá vincular-se a uma doula que encarne seu próprio espírito. Nela confiará para defendê-la do médico, do sistema, do hospital. Levará a doula para as consultas obstétricas para que retruque às artimanhas do profissional. Desafiará o parecer dele, esconder-lhe-á exames e finamente tratá-lo-á como um funcionário não fidedigno sobre o qual descontar o incômodo que milênios de submissão feminina borbulha em toda alma de mulher.

E na hora do parto, o que vai acontecer? Certamente, esta mulher não trabalhou suas emoções, não só porque não sabe como lidar com elas e sua doula de confiança também não, como porque emoções nos fazem sentir vulneráveis e a mulher Hera está decisamente cansada de sentir-se assim.

Ao chegar a data previsa do parto, o corpo da mulher Hera da era da humanização-por-princípio não irá abrir-se. Afinal, ela passou meses estruturando-se para lutar contra o sistema. A desestruturação do trabalho de parto não tem chances de acontecer. Aquele afrouxamento dos ligamentos, aquela entrega dolorida, prazerosa, erótica... são impossíveis nessas condições.

A Hera tradicional tem pouca simpatia por Afrodite, desconhece por completo Ártemis e não é amiga de Deméter. Sua vontade está voltada para fora, por isso não sabe estar em si, como Héstia. Suas ambições de poder a afastam de todos os aspectos do feminino que propiciam o amor gostoso e a entrega de olhos fechados. Essa mulher tem enorme dificuldades para mudar seu estado de consciência para poder dar à luz.

O médico, seu antagonista, terá de entrar no cenário e socorrê-la. Mais uma cesárea.

A ferida na alma da mulher Hera permanecerá profunda e triste por muitos anos afora, podendo convertir-se em mais raiva e revolta ou deflacionando-se sobre si mesma.

11/01/2010

O Parto da Mulher Hera Pré-Humanizada

Adriana Tanese Nogueira


Como é sabido, a mulher Hera está em busca de poder. Quanto mais submetida ela estiver mais seus modos para obtê-lo serão dissimulados e por baixo dos panos. Quanto menor sua autoconsciência mais sofisticada sua manipulação a ponto que nem ela mesma a percebe.

O dom de Hera é o da liderança e do comando. Como todos os dons, esse também é uma benção que deveria ser aproveitada para o Bem maior. Mas a mulher Hera pré-humanizada está completamente imbuída na cultura da sociedade machista na qual nasceu. Não tem a menor idéia do que é feminismo. Sua auto-estima feminina está reduzida ao osso. Ela não o sabe porém. Está acostumada a conviver com isso tudo, sua personalidade foi moldada no machismo. Só lhe sobra ansiar pelos cantos e suspirar entre uma artimanha e outra.

Quando grávida, a mulher Hera vai adorar um mimo. Se não o receber vai somatizar. Mil e

04/01/2010

O Parto da Mulher Atena na Era da Humanização-com-Consciência

Adriana Tanese Nogueira


     Na era da humanização-com-consciência, a mulher Atena vai reconhecer o aprendizado que vem da humanização-por-princípio. Concordará com todos os princípios anteriores e, como suas irmãs, achará escandalosa a condição da obstetrícia moderna. Entretanto, ao invés de seguir princípios, ela vai personalizar sua conduta.
     Todo mundo sabe que a maior qualidade da deusa é a Sabedoria. Atena é estrategista e sábia. Promove o conhecimento e a educação, divulga informações. Mas sobretudo é sábia. Por este motivo, ela percebe que não é entupindo-se de noções e princípios que irá fazer seu parto. Ela tem perfeito conhecimento de que o seu é o mundo da mente, enquanto que o parto pertence ao mundo do corpo e dos instintos no qual muitas vezes sentiu-se desconfortável.
     A mulher Atena dessa era tem consciência de suas limitações. Por este motivo é que estabelece estreita amizade com as outras deusas. É esperta o suficiente para não perturbar o trabalho das outras.

03/01/2010

O Parto da Mulher Atena da Era da Humanização-por-Princípio

Adriana Tanese Nogueira


     A mulher Atena humanizada-por-princípio é aquela que descobriu como de sobressalto que a obstetrícia moderna fundamenta-se numa série de princípios errados. Foi como uma súbita revelação.

     A obstetricia basea-se no princípio do corpo-máquina. Errado.
      O parto é visto, por princípio, como um evento de risco. Errado.
     O médico é considerado, por princípio, como o sabe-tudo-salvador-da-pátria. Errado.
     A mulher é colocada, por princípio, na posição passiva e idiótica da incompetente. Errado.
    
     Tomar consciência de ter sido e de estar sendo ludibriada é um choque do qual não é facil recuperar-se. A mulher Atena da era da humanização-por-princípio percebe agora claramente que lhe foram sonegadas informações valiosas. Ela foi mantida no escuro propositalmente.

02/01/2010

O Parto da Mulher Atena Pré-Humanizada

Adriana Tanese Nogueira


     A mulher Atena da era moderna ao engravidar vai planejar tudo direitinho: quarto do bebê, trabalho, viagens do marido, atividade física e naturalmente a dieta. Irá consultar-se com o médico de ponta, conhecido de colegas relevantes na empresa. Escolherá o hospital mais aparelhado tecnologicamente. O Einstein seria uma boa opção.
     Trabalhará até o último dia. Aguentará reuniões, viagens, clientes, papeladas e longas horas ao computador. Não irá esquecer das caminhadas. Afinal, a vida é uma maratona.
     Quando finalmente entrará em licença maternidade se organizará para descansar. Talvez porém seja tarde demais. Hipertensão, pernas inchadas, trabalho de parto prematuro... Coisas normais de acontecer. Mas não tem problema! O obstetra de escolha está perfeitamente preparado para essa eventualidade. Sua taxa de cesáreas o prova. Ele também está convencido que a mulher moderna perdeu aquela facilidade fisiológica de dar à luz que as tataravós tinham. Ela é sedentária, estressada e quer tudo pronto e rápido.

01/01/2010

Breve sinópse do livro


Sete são as Deusas tratadas. Cada uma abre uma perspectiva sobre a identidade feminina (com exercícios práticos no final dos capítulos), apresentando temas específicos e modalidades de agir. Héstia cria o ninho. Perséfone promove introversão e centramento, graças aos quais, Deméter, a maternidade plena, pode nascer. Afrodite ajuda a compreender a sensibilidade tão características das grávidas. Atena dá planos e estratégias. Hera estimula a autonomia e a auto-estima. Por fim, Ártemis, a do “bom parto”, abre as portas para um parto ativo, saudável e empoderador. Citações e depoimentos encontram-se ao longo de todo o livro.

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