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15/02/2010

O parto da mulher Héstia na era da humanização-com-consciência

Adriana Tanese Nogueira

Acho que esta é a era perfeita para a mulher Héstia. Sua predisposição à introspecção e à reflexão a levam suavemente à encontrar-se com a humanização-com-consciência, pois consciência só pode haver a partir da reflexão e observação interior.

A diferença desta mulher das anteriores é que ela percebe com mais clareza o que está em jogo e quando for procurar por uma doula ela irá utilizar como critério uma que seja tão extrovertida quando reflexiva. O que, devo dizer, será um desafio, mas que a mulher Héstia, paciente como só ela, irá enfrentar com ânimo e tranquilidade.

Ela pode também não precisar de uma doula, no caso em que tiver encontrado uma parteria confiável e acolhedora com a qual sentir-se segura. Mas, com relação às milhares de mulheres que não têm acesso a esse privilégio, uma boa doula pode ser uma "arma" vencedora. Interpondo-se entre a parturiente e o mundo de fora pode permitir-lhe aquela intimidade tão querida à mulher Héstia e tão necessária ao parto.

É para isso que a mulher Héstia da humanização-com-consciência vai procurar uma doula,
para que seja parede, muro invisível entre os dois mundos: o corriqueiro da vida comercial, hospitalar e egoíca, e o íntimo e profundo das entranhas do parto e da alma. O escudo que esssa doula poderá lhe oferecer não é feito necessariamente de palavras e gestos, mas de sua própria energia. Ou seja, a mulher Héstia quer alguém que vá se somar à sua própria energia mas que não estando em trabalho de parto a tenha toda disponível para o que Héstia precisa: paz e silêncio.

Ao longo da gestação, essa mulher já terá armazenado conhecimentos suficientes, não mais do que o indispensável. O que interessa a ela saber de todas as intercorrência do parto? Nada, absolutamente nada. Ela quer seu canto sagrado para seu bebê nascer e os conhecimentos devem servir para montar esse ambiente. Só.

No curso de preparação ao parto terá trocado idéias com outras grávidas e conferido o que ela mesmo recolheu entre livros e internet. Aí ela volta para casa e rumina sozinha o que leu e ouviu. Conversa com o marido ou não, e continua refletindo até tomar sua decisão.

Este processo solitário de amadurecimento está na essência de sua personalidade. Ela o sabe. Portanto, irá buscar as condições que lhe permitem manter o fluxo de sua interioridade ininterrupto. E contratará as pessoas que não só o compreendem como o protegem.

Assim, a mulher Héstia da era da humanização-com-consciência dará à luz seu filho como uma deusa acocorada no altar de um templo fresco e perfumado, envolto em sombra silenciosa e orações.

Amém.

2 comentários:

MicasMariana disse...

olá Adriana,
acabei de devorar o seu livro. É absolutamente maravilhoso, cada linha foi a confirmação de sentimentos muito fundos, antigos, integrados mas a precisarem de força para o tal salto quântico :D.
Um grande abraço

Deixei o link aqui www.parircomalma.blogspot.com

Adriana Tanese-Nogueira disse...

Obrigada Mariana!
Essa é a melhor coisa que podia ouvir!
Fico feliz.
Grande abraço
Adriana

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