Adriana Tanese Nogueira
Como é sabido, a mulher Hera está em busca de poder. Quanto mais submetida ela estiver mais seus modos para obtê-lo serão dissimulados e por baixo dos panos. Quanto menor sua autoconsciência mais sofisticada sua manipulação a ponto que nem ela mesma a percebe.
O dom de Hera é o da liderança e do comando. Como todos os dons, esse também é uma benção que deveria ser aproveitada para o Bem maior. Mas a mulher Hera pré-humanizada está completamente imbuída na cultura da sociedade machista na qual nasceu. Não tem a menor idéia do que é feminismo. Sua auto-estima feminina está reduzida ao osso. Ela não o sabe porém. Está acostumada a conviver com isso tudo, sua personalidade foi moldada no machismo. Só lhe sobra ansiar pelos cantos e suspirar entre uma artimanha e outra.
Quando grávida, a mulher Hera vai adorar um mimo. Se não o receber vai somatizar. Mil e
um malestarzinhos vão aparecer. Seu médico será de primeira, ou na melhor das hipóteses um do plano. Naturalmente, ele será do tipo tradicional onde as relações de poder estão bem claras e ele terá o controle da situação, fazendo dela a paciente que merece todos os cuidados que a nova tecnologia pode oferecer.
Mesmo que ela não tenha planejado, é inevitável que sua gravidez termine numa cesárea e isso porque uma mulher Hera pré-humanizada não vai querer fazer esforço. Ela pode não dizer isso (quem iria admitir?), mas no finalzinho começará a sentir uma dor aqui, um incômodo alí e eis que a barriga se tornará insuportável. Já que estamos com quase 40 semanas, perguntará o médico, piscando o olhinho esperto, por que não fazer uma cesárea? É segura e rápida.
O quarto cinco estrela do hospital brilhará como uma luz no fim do túnel. Por uns poucos dias na vida, a mulher Hera poderá se sentir uma rainha. Será cuidada e servida. Receberá atenções e poderá fazer pedidos que serão executados.
E assim nasce seu filho.

2 comentários:
Estou lendo seu livro e gostando bastante, Adriana! Entrei em contato com você via e-mail a pouco tempo atrás, perguntando sobre o trabalho da editora de seu livro, lembra?
Estou lendo seu livro por muitos motivos: para estudar como profissional o tema, porque coordeno um grupo de reflexão sobre o feminino e a temática das deusas vai aparecer assim como a maternidade, porque quero me preparar para a maternidade, porque, porque... Muitos motivos!
E viva a internet!
http://julianaggarcia.blogspot.com
Obrigada pelo comentário, Juliana!
Se precisar de alguma coisa me fala e continue nesse trabalho.
Abraços!
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